quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Marcas no Mercado de Luxo

Há pouco tempo atrás desenvolvi um trabalho na faculdade, no curso de MBA gestão em marcas e marketing no qual termino este ano, com o tema “Marcas no mercado de luxo”. Além de ser um tema riquíssimo pelos vários pontos curiosos que podem ser abordados, é ainda um assunto que interessa a todos.

Bom, para que você entenda melhor sobre esse “mundo”, irei explicar um pouco sobre as marcas neste mercado rico, exclusivo e de luxo total.
Além de chamar muito a atenção pela elegância em seus produtos, conceitos, inovações e adaptações, este mercado movimenta um volume de negócios absurdo que atrai e gera o aparecimento de cursos e estudos voltados a este setor aos profissionais de marketing.
O luxo relaciona-se ao que é raro, exclusivo, restrito e caro. Se for acessível à maioria das pessoas deixa de ser luxo, contradizendo a classe social que sinaliza privilégio, prestígio, nobreza, elite, riqueza e estilo. Ou seja, o luxo tem um preço, e este alto por ser exclusivo.

Os bens de luxo são produtos e serviços com comportamentos muito particulares no mercado, e seu posicionamento contradiz as regras do marketing de consumo de massa. Mas no Brasil, os produtos de luxo são quase que totalmente voltados à clientela local, investindo nas melhores características de mercado como, por exemplo, os parcelamentos na hora da compra, facilitando o acesso às classes menos favorecidas que prestigiam alguns desses produtos. No jornal “Folha de São Paulo” - caderno B (18/07/2010) foi publicado uma matéria sobre o “luxo da classe C”. Segundo pesquisas, esses consumidores gastam entre 30% e 60% da renda com marcas e produtos e vêem o consumo como inclusão social. O luxo para esta classe social esta ligado principalmente a autoestima e pertencimento.

A publicidade para este mercado também é um quesito inovador. Quem procura luxo certamente está procurando um diferencial, uma característica de identificação com o produto. O target prioritário é a classe mais alta da sociedade e pontos como designer e estilo são ferramentas fundamentais para evidenciar este produto. As marcas de luxo sempre buscam o simbolismo com o sonho, a imaginação, sedução e apela para os sentidos da beleza e poder, criando sempre uma experiência harmoniosa entre o produto/serviço e o consumidor.

Criar uma identidade de marca para o mercado de luxo exige ações consistentes, tanto nos aspectos tangíveis dos produtos (design, estilo, materiais refinados e raros) quanto nos intangíveis (origem e tradição da marca, imagem do usuário alvo, personalidade da marca) são intrínsecas à sua identidade. A internacionalidade da marca é outra faceta importante deste mercado que quase sempre esta ligada a uma origem bem definida (país, continente ou cidade) e tem que necessariamente passar por uma padronização de sua imagem onde quer que esteja.

A Chanel, por exemplo, possui o que podemos chamar de um forte "código genético" de marca. Coco Chanel, a criadora original, deixou códigos muito precisos sobre o uso da marca e seus valores, que firmemente orientam as ações da empresa, com um sucesso inquestionável. Até hoje, mesmo estando sob a direção criativa de outro ícone da moda (KarlLagerfeld), os signos do estilo Chanel permanecem inabaláveis: O logo com dois “Cs” entrelaçados, os sapatos bicolores, as bolsas com correntes, os ternos de tweed, as longas bijuterias.
Tudo dentro da filosofia de Mlle Chanel: rigor, linhas puras e vigorosas, força, simplicidade e postura. Graças a esse trabalho de retenção de valores, a marca nunca perdeu sua unidade e a formidável força de sua imagem.

O perfil destes consumidores de luxo se baseia nos critérios econômicos (renda), sociológicos (classe social) e psicológicos (o que induz a busca pelo produto). Ao analisarmos o consumidor de luxo sob uma ótica de classes sociais, estamos obviamente falando das classes mais altas e abastadas. No entanto, é arriscado supor que qualquer pessoa com alta renda deva ser colocada no mesmo segmento de mercado, pois a definição de classe social envolve mais que simplesmente a renda absoluta.
Mas em se tratando dos produtos de luxo, dependendo do tipo de consumidor em questão, pode-se comunicar e enfatizar mais elementos de ostentação, diferenciação, reconhecimentos social, expressão pessoal, realização ou sonho.

Abaixo, temos algumas teorias sobre o perfil do consumidor de luxo. Veja se você se encaixa nas opções e renda-se ao glamour...

- O desejo de ser único, de exclusividade e diferenciação;
- O desejo de melhorar o auto-conceito, projetando sucesso e poder;
- O desejo de exteriorizar a própria personalidade;
- Necessidade de marcar a filiação a um grupo social almejado;
- Hedonismo, desejo de estímulos aos sentimentos e estados afetivos;
- Busca do próprio prazer;
- Deleite ao excitar positivamente os órgãos dos sentidos perfeccionismo;
- Busca da melhor qualidade e de um desempenho superior;
- O desejo de ostentação, de exibição da riqueza ou da conquista de uma ascensão social;
- Motivação emocional ou a busca de uma experiência excepcional como compensação ou auto-indulgência;
- Desejo de marcar-se como elite, old money, símbolo de status hereditário.

Assista abaixo aos filmes comerciais de perfumes (feminino/masculino), que são exibidos somente em TV paga destinados à classe A. Entenda a magia, sedução e emoção que a marca transmite ao consumidor.

Nina Ricci - Nina Ricci



Paco Rabanne - One Million



Dior - J'Adore Perfum